
Sábado, Abril 4
Terça-feira, Fevereiro 24
"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.
Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão..." Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.
O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."

“Ostras felizes não fazem pérolas. Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade.”
Terça-feira, Fevereiro 17
Quinta-feira, Fevereiro 12
Saudade...

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
(Clarice Lispector)

Domingo, Fevereiro 8
Insatisfação.....

O assunto de hoje é sobre a eterna INSATISFAÇÃO. Parece que sempre nos falta algo, alguém, nos sentimos incompletos. Meu cardiologista disse que esta insatisfação é positiva e ouvi meio ressabiada. Converso com várias pessoas e este assunto sempre está nas pautas. Seja no trabalho, na mesa de um bar, com a pessoa que amamos, famíla, enfim...a eterna INSATISFAÇÃO.
Como sou uma "insatisfeita", sempre em busca de respostas ou pelo menos algo que me deixe "satisfeita" temporariamente. Lancei no Google a palavra INSATISFAÇÃO e comecei a ler diversos artigos, mas um dos que li me deixou "satisfeita". E pude concluir que a minha INSATISFAÇÃO realmente é algo positivo, então resolvi postar um fragmento deste artigo escrito por Eugenio Mussak.
(...)
O filósofo Mário Sérgio Cortella, em seu livro Não Nascemos Prontos (Vozes), ensina que o homem insatisfeito é o que tem o poder de provocar mudanças ao seu redor. A satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento, diz ele. Ele alega que não tem afeição pelos satisfeitos, pois a satisfação acalma, limita, amortece, e ele prefere os que estão em movimento, os insatisfeitos.
Felizmente a insatisfação é uma condição humana, pertence à categoria dos instintos de sobrevivência, e responde pela evolução. O satisfeito estanca, o insatisfeito galopa. Cortella cita Guimarães Rosa, que dizia que o animal satisfeito dorme, e por isso é morto pelo predador. A insatisfação do leão, por comida, espaço, fêmeas, lhe proporcionou a condição de rei da savana. Ele sempre quer mais. E é sua ânsia de querer que gera movimento em seu grupo e estimula tanto seu poder de caça quanto a atenção dos gnus e das zebras. Estamos, simplesmente, falando da evolução das espécies.
Entre os humanos, a insatisfação também provoca evolução. O satisfeito pára, o insatisfeito continua. Quem está satisfeito com seu desempenho no trabalho não trata de melhorá-lo. O homem que se sente satisfeito com sua relação amorosa interrompe o galanteio, a conquista, e dá início ao fi m. Quanto à mulher, a melhor é a insatisfeita, que deseja mais de seu companheiro, por isso o estimula e cresce com ele. A plenitude gástrica das relações provoca sono, o desejo de querer mais desperta.
Portanto, a insatisfação é boa, o problema é a ansiedade que ela gera. É dela que nos queixamos e desejamos nos livrar. Mas, em nossa cabeça confusa, misturamos as coisas e achamos que a satisfação originada por uma diminuição nas expectativas diminuirá a ansiedade. Pode ser, mas, com o tempo, poderá gerar frustração, o que, convenhamos, é muito pior.
(...)
Quinta-feira, Janeiro 29
Segunda-feira, Janeiro 26
No elevador....

Ela olhava pela janela do décimo sexto andar do escritório, estava quase na hora de ir embora. Pensava o que faria ao sair dali, estava agitada, impaciente. Precisa fazer algo! Foi ao banheiro, ajeitou-se em frente ao espelho. Ela vestia uma saia acinturada preta na altura dos joelhos, blusa branca com um sugestivo decote, e um belo par de sapatos salto agulha. Retocou o batom e olhou novamente o relógio, faltavam 5 min. Pegou sua bolsa e foi em direção ao elevador. Todos saindo do prédio comercial no mesmo horário é uma loucura. Outras pessoas também esperavam pelo elevador, mas tinha uma pessoa que lhe chamou atenção. Era a primeira vez que tinha visto aquele homem no andar em que trabalhava. Discretamente ela o analisava. Tinha cabelos grisalhos, uma boca perfeita, cabelos e olhos castanhos, não era muito alto, tinha uma boa estatura. Sua roupa era discreta e de bom talho, impecável. Ele estava a frente dela, perto da porta do elevador. Ela se posicionou logo atrás dele e pode sentir o seu perfume, aquele cheiro a embriagou. Um cheiro amadeirado, seco. Enfim o elevador chegou, não estava muito cheio, ele se posicionou no canto, no fundo, e ela... na frente dele. As pessoas foram entrando e .... o espaço ficou menor. Ela teve que encostar nele. Sentiu um fogo percorrendo seu corpo, sentiu sua respiração acelerando. A porta do elevador se fechou. Seu corpo ali encostado no dele, sua imaginação foi a mil. O elevador parou no andar seguinte mais pessoas entraram e conseqüentemente menos espaço e.... mais próxima daquele corpo. Ela percebeu que o corpo dele reagira com “aquela falta de espaço” a altura era perfeita. Sentiu um certo volume por trás, percebeu que a respiração dele também estava diferente. A porta do elevador mais uma vez se fechou. Ela sentido aquele volume, começou a provocá-lo roçando sua bunda em seu sexo, ela ia roçando mais e junto com roçar a respiração dele acelerava. Elevador mais uma vez parou para descer uma pessoa. Ela nem dava mais conta que estava dentro de um elevador, estava a saborear aquela fantasia. Não parava de roçar a bunda nele e aquilo a excitava cada vez mais. Sentia o sexo dele cada vez mais rijo. Ela queria mais...mais. Colocou suas mãos para traz e começou a massagear aquele membro teso. Ele não se movia, só tinha como retorno sua respiração que estava disparada. Elevador para novamente, entram mais pessoas. Aquilo a excitava mais ainda. Com suas mãos por cima da calça o tocava. Era pouco. Discretamente desabotoou o cinto da calça dele e generosamente tirou da cueca aquele membro que urrava para sair dali. Ela o dominava, ele não tinha chance fazer nada, apenas sentir o prazer. Por cima da blusa começou a tocar suavemente. Ele tocou com as mãos o quadril dela, segurou com força. O elevador parou novamente, estava cheio, não haveria mais parada. Ela com maestria o tocava, sentia sua vagina inundando e o membro em sua mão a crescer mais...mais...ele a apertava seu quadril com força. Ela sentia o pulsar dele em suas mãos e o tocava mais forte, mais gulosa. Ela percebia que sua respiração estava descompassada. Seu membro ali para o bel prazer dela, cada vez mais rijo, teso. Ele a apertou com mais força, ali ela sentiu que ele ia gozar. Sua mão o tocava com prazer e com mais prazer que ela recebeu o gozo daquele homem. As mãos dele ainda seu quadril o apertavam fortemente e aos poucos ia soltando. Ela estava tão excitada que sentia o gozo escorrer pela virilha. Ficaram alguns segundos assim, parados, talvez se recompondo. Ela tinha o gozo dele na mão, sentia que a camisa que o cobria estava toda molhada. Pensou, “Agora é com ele”. Ela riu. Voltou com as mãos para frente, abriu sua bolsa, retirou um lenço e maliciosamente guardou aquela fantasia que seria inesquecível. O elevador chegou ao térreo, as pessoas começaram a sair do elevador.... E ela? Saiu com um lindo sorriso nos lábios.
* Lu *

